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A reciclagem de pneus é viável?

As vendas de carros só crescem no país e, como podemos imaginar, também cresce a produção de pneus. Em 2010, foram produzidos, pelo menos, 67 milhões de unidades, com um crescimento de 15% em relação à produção de 2009, conforme dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP).

Após o uso, para onde vão todos estes pneus? Qual é a destinação dos mesmos ao final de sua vida útil?


Desde 1999, em função de um crescente passivo ambiental e de questões de saúde pública, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) através da Resolução Federal Nº 258, determinou que as empresas fabricantes e as importadoras de pneumáticos ficassem obrigadas a coletar e dar destinação final ambientalmente adequada aos pneus inservíveis (aqueles que não têm mais condições de serem utilizados para circulação ou reforma).

Portanto, se estes pneus não forem depositados ilegalmente em lixões ou aterros sanitários, podem seguir dois caminhos: os pneus convencionais são destinados para as empresas que realizam a laminação e transformação da borracha em artefatos diversos, como solados, cintas de sofá, tapetes para carros, postes entre outros; e os pneus radiais são triturados e depois encaminhados, em sua grande maioria, para empresas produtoras de cimento, para queima nos fornos de clinquer, ou para indústria petroquímica que processa xisto betuminoso para obtenção de petróleo bruto.

Segundo a ANIP, 95% do material coletado pelo seu programa, o Reciclanip (entidade voltada para a coleta e destinação de pneus inservíveis), é destinado para o co-processamento das indústrias de cimento, e os outros 5% são destinados para empresas recicladoras que produzem artefatos de borracha. A ANIP se encarrega dos custos de logística e trituração do material, além do transporte para as indústrias de cimento. Este dado financeiro nos mostra que não há uma demanda natural por estes pneus, uma vez que a coleta, a preparação e o transporte são subsidiados pela própria entidade representante do setor produtivo.

Sabemos também que por mais que os fornos das indústrias de cimento possuam filtros especiais, os mesmos acabam por liberar poluentes tóxicos. O co-processamento de pneus em fornos de cimento pode levar à emissão de dioxinas, furanos e outros poluentes orgânicos persistentes.

Não podemos dizer ainda que a logística reversa deste segmento esteja perfeita, muito longe disso. Muito menos que há uma demanda por parte do mercado por produtos derivados de pneumáticos, uma vez que apenas 5% dos pneus inservíveis são destinados à produção de derivados, sem emissão de poluentes à atmosfera.

Portanto, seria uma boa política pública, por exemplo, o incentivo à utilização de pneus reciclados como matéria-prima na produção de mobiliário público urbano, seja através de subsídios à indústria local ou simplesmente na substituição dos equipamentos quebrados. Só a utilização em larga escala tornaria a reciclagem de pneus inservíveis economicamente viável, atendendo assim ao tripé da sustentabilidade: justo socialmente, responsável ambientalmente e viável economicamente.



* Rosária Penz Pacheco é colaboradora da Revista Sustentabilidade, economista graduada em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pós graduada em Gestão de Sustentabilidade pela Fundação Getúlio Vargas.



Fonte:


Rosária Penz Pacheco*
Revista Sustentabilidade
04/05/2011